A arte de expandir sem perder a essência: A presença da Fundação Gentil no nordeste brasileiro
Expandir um projeto social de São Paulo para o Nordeste do Brasil não é apenas uma questão de logística ou de recursos financeiros. É um desafio de adaptação cultural, de construção de confiança em novos territórios e de capacidade de manter a qualidade do serviço prestado enquanto se opera em contextos radicalmente diferentes do original. Eloizo Gomes Afonso Duraes conduziu esse processo com uma competência que merece ser analisada em detalhe, porque oferece lições valiosas para qualquer organização social que deseja crescer de forma responsável.
Por que o nordeste
A decisão de expandir a Fundação Gentil Afonso Duraes para o Nordeste não foi aleatória. A região concentra alguns dos indicadores sociais mais desafiadores do país: altos índices de pobreza infantil, acesso precário à educação de qualidade, vulnerabilidade alimentar significativa e desigualdade estrutural profundamente enraizada em séculos de história econômica. Levar para lá um projeto de educação complementar, inclusão digital e assistência social era levar para onde a necessidade era mais aguda.
Eloizio Gomes Afonso Duraes sempre entendeu que a responsabilidade social de um empresário não se limita ao entorno de sua sede comercial. Quando o modelo da Fundação havia demonstrado resultados suficientemente sólidos no Jaguaré, expandir para outros contextos não foi uma ambição de escala, mas uma consequência lógica de uma convicção: de que o que havia funcionado em São Paulo poderia transformar vidas também em São Luís, em João Pessoa e em Recife.

A chegada a cada novo território
Em janeiro de 2005, a Fundação chegou a São Luís, no Maranhão. Não chegou com um manual pronto e a expectativa de replicar o modelo paulistano sem adaptações. Chegou com uma metodologia testada e disposição para aprender com as especificidades locais. Dois anos depois, em fevereiro de 2007, João Pessoa recebeu a Fundação. Em abril de 2010, foi a vez de Recife.
Cada nova localidade apresentou desafios próprios: diferentes dinâmicas comunitárias, diferentes relações com o poder público local, diferentes perfis de vulnerabilidade. Eloizo Gomes Afonso Duraes demonstrou, nesse processo, uma qualidade que nem todo líder possui: a humildade para reconhecer que saber o que funciona em um contexto não significa saber automaticamente o que funcionará em outro, e a disposição de aprender antes de agir.
Presença que se consolida
O indicador mais confiável de que a expansão foi bem conduzida é a consolidação da presença da Fundação nos estados nordestinos ao longo dos anos. Iniciativas que chegam sem raízes genuínas nas comunidades locais tendem a desaparecer quando o entusiasmo inicial se dissipa ou quando as dificuldades se acumulam. A permanência da Fundação Gentil no Nordeste ao longo de duas décadas é evidência de que sua presença foi construída sobre alicerces reais: confiança das famílias atendidas, parcerias locais sólidas e impacto verificável nas comunidades.
Para Eloizio Gomes Afonso Duraes, essa consolidação é mais do que um resultado institucional. É a confirmação de que investir nas pessoas certas, com o suporte certo e a paciência necessária para esperar pelos resultados de longo prazo, é sempre a estratégia correta, independentemente de onde no Brasil esse investimento é feito.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez



