Artrose no joelho em idosos: o que é, por que dói ao subir escadas e como aliviar além dos remédios?
Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, esclarece que a artrose no joelho é uma das condições mais prevalentes na terceira idade e, ao mesmo tempo, uma das mais mal compreendidas pelos pacientes que convivem com ela. Essa dificuldade de compreensão ocorre porque muitos idosos acreditam que a dor no joelho é consequência inevitável do envelhecimento e que pouco pode ser feito além de tomar anti-inflamatório quando a dor piora. Essa crença, além de incorreta, priva o idoso de intervenções eficazes que poderiam reduzir significativamente a dor e preservar a função articular por muito mais tempo.
Entender o que é a artrose, por que ela produz dor em situações específicas como subir escadas e o que realmente funciona para aliviá-la é o primeiro passo para uma abordagem clínica que vai além do analgésico. Prepare-se para descobrir o que a medicina tem a oferecer ao idoso com artrose no joelho.
O que é a artrose e o que acontece dentro do joelho?
A artrose, também denominada osteoartrite, é uma doença degenerativa da cartilagem articular, o tecido que recobre as extremidades dos ossos dentro das articulações e que permite o movimento suave e sem atrito entre eles. Com o envelhecimento, o desgaste articular acumulado ao longo das décadas, o excesso de peso e fatores genéticos, essa cartilagem vai se desgastando progressivamente, tornando-se mais fina, mais irregular e menos eficiente em sua função de amortecimento. Quando o desgaste avança, os ossos começam a se aproximar e eventualmente a se tocar, produzindo dor, inflamação e limitação de movimento.
Como detalha Yuri Silva Portela, a artrose de joelho tem características específicas que a diferenciam de outras causas de dor articular: a dor tende a ser pior no início do movimento após período de repouso, melhora ligeiramente com o movimento leve, mas piora com esforços intensos, e é frequentemente acompanhada de crepitação, o som ou a sensação de rangido durante o movimento, e de rigidez matinal que dura menos de trinta minutos.
Por que a dor piora ao subir escadas e ao se levantar de cadeiras?
Subir escadas e se levantar de cadeiras são as atividades que mais sobrecarregam o joelho, porque exigem que a articulação suporte uma carga muito superior ao peso corporal. Ao subir um degrau, a força que incide sobre o joelho pode chegar a três a quatro vezes o peso corporal. Ao se levantar de uma cadeira sem usar os braços para apoio, essa força pode ser ainda maior. Em uma cartilagem já desgastada e com menor capacidade de distribuir essas cargas de forma uniforme, esses movimentos produzem compressão excessiva nas áreas de maior desgaste, gerando a dor intensa que o idoso frequentemente descreve como a pior do dia.

Na avaliação de Yuri Silva Portela, compreender essa mecânica tem implicações práticas imediatas: instalar corrimãos em escadas, usar cadeiras com altura adequada que facilite o ato de levantar, utilizar bengala para reduzir a carga sobre o joelho e fortalecer a musculatura da coxa para distribuir melhor as forças durante esses movimentos são adaptações simples que reduzem significativamente a dor sem depender de nenhum medicamento.
O que realmente alivia além do remédio?
O exercício físico é a intervenção com maior evidência científica de benefício na artrose de joelho, superando em eficácia de longo prazo os anti-inflamatórios convencionais e sem os riscos cardiovasculares, renais e gástricos associados ao uso prolongado dessas medicações. Exercícios de fortalecimento da musculatura do quadríceps e dos isquiotibiais reduzem a carga sobre a cartilagem ao distribuir melhor as forças durante o movimento, enquanto exercícios aquáticos oferecem fortalecimento sem o impacto articular que o exercício em solo produziria.
Conforme ressalta Yuri Silva Portela, a perda de peso é igualmente poderosa: cada quilograma eliminado reduz em quatro quilogramas a carga sobre o joelho durante a caminhada, o que significa que uma perda de cinco quilos equivale a vinte quilos a menos de pressão sobre a articulação a cada passo. Essa relação, quando comunicada de forma clara ao idoso, frequentemente transforma a percepção sobre o controle do peso, que passa a ser visto como uma estratégia concreta para reduzir sintomas e preservar a autonomia.
Quando considerar infiltração, viscossuplementação e cirurgia
Para casos em que o tratamento conservador não oferece alívio suficiente, opções intervencionistas podem ser consideradas com base no perfil clínico individual do idoso. As infiltrações com corticosteroides oferecem alívio temporário da inflamação com eficácia documentada, mas seu uso repetido pode acelerar o desgaste articular. Já a viscossuplementação com ácido hialurônico busca restaurar as propriedades lubrificantes do líquido articular, com resultados variáveis entre os estudos.
Yuri Silva Portela frisa que a cirurgia de substituição total do joelho, quando bem indicada em idosos com artrose avançada e sem resposta ao tratamento conservador, produz resultados expressivos sobre dor e função com taxas de satisfação elevadas, mesmo em pacientes acima de 80 anos. A decisão sobre o momento certo para operar deve ser individualizada e baseada na qualidade de vida atual do paciente, e não apenas nos achados radiológicos.



