Inteligência artificial já é usada em quase 4 de cada 10 escritórios de arquitetura em São Paulo, aponta levantamento
Adoção de IA passa de ferramenta estética para foco em eficiência operacional, enquanto BIM avança em contratações públicas pelo país.
O uso de inteligência artificial em escritórios de arquitetura deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina de projeto em boa parte do setor brasileiro. Levantamento do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo mostra que quase quatro em cada dez escritórios do estado já utilizam algum tipo de IA em seus processos, principalmente para reduzir falhas de coordenação que historicamente comprometem a rentabilidade dos projetos. O movimento não se limita a São Paulo: fabricantes de software de modelagem BIM anunciaram, ao longo do primeiro semestre de 2026, novas integrações entre plataformas e o avanço de ferramentas de inteligência artificial aplicadas à tomada de decisão em projetos. A pergunta que fica para arquitetos e escritórios menores é: como aproveitar essa tecnologia sem perder o controle criativo e técnico que ainda depende, essencialmente, do profissional humano?
Como a IA está mudando o dia a dia dos escritórios de arquitetura
Segundo o levantamento do CREA-SP, 38% dos escritórios de arquitetura no estado já utilizam inteligência artificial para tentar mitigar falhas de coordenação que corroem a rentabilidade dos projetos. O dado aparece em um momento em que o mercado nacional de softwares de modelagem avançada projeta um alcance financeiro expressivo até o início da próxima década, o que reforça a pressão para que escritórios de todos os portes se adaptem a esse novo padrão de trabalho. A tendência apontada por especialistas é a passagem de uma “IA estética”, voltada principalmente à geração de imagens e renderizações, para uma “IA de eficiência operacional”, que permite agilizar operações mecânicas enquanto o profissional prioriza a análise de dados e de custos considerados no projeto. Jornal TribunaJornal Tribuna
Entre os usos mais citados estão a transformação de rascunhos manuais e fotografias em modelos tridimensionais texturizados em poucos segundos, eliminando horas de modelagem manual, e o uso de gêmeos digitais para acompanhar em tempo real o cronograma físico e financeiro de uma obra. Executivos de grandes fabricantes de software internacionais também têm reforçado essa direção. Representantes de empresas do setor apontam que a discussão em 2026 não é mais sobre usar ou não IA, mas sobre como incorporá-la de forma responsável, evitando que a tecnologia minimize a complexidade de decisões que ainda exigem julgamento humano e responsabilidade técnica do arquiteto.
BIM avança com apoio de programas públicos e novas integrações de mercado
Paralelamente ao crescimento da IA, o BIM (Building Information Modeling) segue se consolidando como padrão de trabalho no país, impulsionado inclusive por iniciativas do próprio governo federal. A CBIC anunciou recentemente o programa BIM na Prática, voltado a empresas de pequeno e médio porte da construção civil e a escritórios de arquitetura e engenharia sediados em oito estados contemplados por um projeto piloto. A iniciativa oferece consultoria personalizada em dois ciclos de acompanhamento técnico, com o objetivo de aumentar a produtividade e reduzir o retrabalho nas obras, além de servir de base para uma futura expansão nacional do programa, integrando as ações da Nova Estratégia BIM BR. CBIC
No mercado privado, fabricantes internacionais de software também anunciaram novidades relevantes neste ano. Uma das principais empresas do setor apresentou avanços em uma plataforma de inteligência artificial aplicada ao processo de decisão em projetos, permitindo explorar centenas de cenários de volumetria, layout e desempenho em poucos segundos, de acordo com metas e restrições específicas de cada projeto. A empresa também anunciou a conexão entre duas das principais plataformas de modelagem usadas no mercado, com o objetivo de reduzir etapas manuais de troca de informações entre equipes multidisciplinares e ampliar a colaboração entre arquitetos, engenheiros e construtores em um mesmo ambiente de projeto. Jornaldobras
O que essa transformação significa para pequenos escritórios e profissionais autônomos
Para escritórios menores, o principal desafio não é o acesso à tecnologia, já que muitas ferramentas de IA voltadas à renderização e à modelagem estão disponíveis a custos relativamente baixos, mas a organização do fluxo de trabalho em torno dessas soluções. Especialistas em consultoria de BIM recomendam uma implementação gradual, começando por ferramentas de menor custo para gerar resultados rápidos antes de investir em soluções mais avançadas de análise de volumetria e layout generativo. Essa estratégia evita que o escritório acumule ferramentas isoladas sem integração real entre elas, o que costuma gerar mais complexidade do que ganho de produtividade.
Também é importante observar o movimento regulatório em curso: estados como Paraná já exigem o uso de Open BIM em contratações públicas, e outros estados começam a caminhar na mesma direção, o que torna a familiaridade com essas ferramentas cada vez menos opcional para quem pretende disputar projetos públicos nos próximos anos.
A combinação entre inteligência artificial e BIM aponta para um cenário em que a tecnologia assume tarefas repetitivas e de grande volume de dados, enquanto o arquiteto concentra energia nas decisões que exigem sensibilidade cultural, social e criativa. O mercado brasileiro já mostra sinais claros dessa transição, tanto pela adoção crescente entre escritórios paulistas quanto pelos investimentos de fabricantes internacionais em plataformas cada vez mais integradas. Para os profissionais do setor, o momento pede menos resistência à mudança e mais atenção a como cada nova ferramenta pode, de fato, melhorar a qualidade e o desempenho dos projetos.
Fontes consultadas: https://jornaltribuna.com.br/2026/02/adocao-de-ia-na-arquitetura-paulista-chega-a-38-enquanto-setor-busca-blindar-margens-de-lucro-contra-desperdicios/ | https://cbic.org.br/programa-bim-na-pratica-leva-transformacao-digital-a-pequenas-e-medias-empresas-da-construcao/ | https://jornaldobras.com.br/noticia/126912/graphisoft-leva-ia-e-colaboracao-aberta-ao-centro-da-digitalizacao-do-setor-aec-no-brasil/amp



