Freio de ouro: a competição mais importante dos cavalos crioulos

Conforme apresenta Aldo Vendramin, no universo do cavalo crioulo, nenhuma competição é tão prestigiada e aguardada quanto o Freio de Ouro. Realizada anualmente, essa prova reúne os melhores exemplares da raça em uma disputa que vai muito além da beleza: exige resistência, agilidade, docilidade e perfeita conexão entre cavalo e cavaleiro. Mais do que um evento esportivo, o Freio de Ouro é uma vitrine do que há de mais técnico e tradicional na criação de cavalos crioulos na América do Sul.
Vamos explorar aqui os detalhes dessa competição, entender o que faz um cavalo se destacar e por que ela é considerada a maior prova da raça crioula.
O que é o Freio de Ouro e como funciona a competição?
O Freio de Ouro é uma competição oficial promovida pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), com etapas classificatórias que culminam na grande final em Esteio, no Rio Grande do Sul. A prova é composta por diferentes fases, que avaliam desde a morfologia até o desempenho funcional do cavalo em diversas situações típicas do trabalho no campo. Tudo isso é julgado por técnicos especializados e respeitados no meio.

Os animais enfrentam provas como figura, volta sobre patas, esbarradas, recuos e paleteadas, simulando movimentos que um cavalo precisa realizar no dia a dia da lida campeira. De acordo com Aldo Vendramin, além da força e destreza física, o cavalo precisa mostrar equilíbrio emocional, obediência e capacidade de resposta rápida ao comando do ginete. Cada detalhe conta na pontuação final, tornando a competição extremamente técnica e exigente.
Quais são os maiores desafios enfrentados pelos competidores?
Um dos principais desafios do Freio de Ouro é a exigência de excelência em todos os aspectos do cavalo crioulo — não basta ser bonito, forte ou rápido, é necessário ser completo. A preparação dos animais é intensa e pode levar anos, com treinamentos diários que desenvolvem resistência física e precisão nos movimentos. A sintonia entre cavalo e cavaleiro é um fator crucial para enfrentar com sucesso as provas mais técnicas.
Segundo o empresário Aldo Vendramin, outro obstáculo é o nível altíssimo dos concorrentes: apenas os melhores da raça chegam à final, o que eleva ainda mais o padrão de julgamento. As provas de paleteada, por exemplo, exigem controle absoluto do cavalo durante o acompanhamento de um boi em movimento, simulando uma situação real do campo. Nessas horas, nervosismo e falta de preparo podem comprometer a performance, mesmo de animais experientes.
O que torna um cavalo campeão do Freio de Ouro?
Um cavalo campeão do Freio de Ouro reúne um conjunto raro de qualidades físicas, técnicas e comportamentais. A genética é, sem dúvida, um dos pilares do sucesso, com linhagens reconhecidas por transmitir características desejadas como rusticidade, inteligência e força. No entanto, como alude Aldo Vendramin, a criação e o treinamento são igualmente importantes para moldar o desempenho do animal nas pistas.
Além disso, um cavalo vencedor demonstra equilíbrio entre temperamento e energia, sabendo responder com rapidez aos comandos sem perder a compostura. A confiança entre cavalo e ginete, construída ao longo de anos de trabalho conjunto, faz toda a diferença. É essa combinação de talento, preparo e conexão que define os verdadeiros campeões do Freio de Ouro — animais que entram para a história da raça crioula.
Por fim, o Freio de Ouro é mais do que uma competição: é uma celebração da cultura gaúcha, da tradição campeira e da excelência na criação do cavalo crioulo. Os desafios da prova revelam a complexidade e a beleza dessa raça única, exigindo o máximo dos competidores. Como evidencia Aldo Vendramin, para quem participa ou acompanha, o evento representa o auge da seleção genética, do treinamento e da paixão pelo cavalo.
Autor: Denis Nikiforov